CNI aposta na queda de juros e aumento da exportação

Entrevistas

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Por Jéssica Dantas

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O economista Marcelo Souza Azevedo, especialista em Políticas e Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reconhece que houve uma sensível queda na produção industrial brasileira, mas é bastante otimista em relação à sua recuperação. Mas para isto ele pontua duas grandes medidas que devem ser implementadas. A primeira é aumentar a demanda, ampliar os estoques, e baixar as taxas de juros a um nível que tornem os produtos mais acessíveis. A segunda é gerenciar mais exportações para as empresas nacionais e internacionais, para que assim ambas possam quitar suas dívidas.

Segundo dados do IBGE, a produção industrial caiu em quase todas as regiões em 2016. O que causou essa queda? Quais as medidas que serão tomadas para um melhor controle?

A demanda da produção industrial caiu muito, e há queda da economia de forma geral. Duas medidas que são ótimas alternativas para manter o controle seriam, primeiro, aumentar a demanda, ampliar os estoques, e abaixar as taxas de juros para um nível, digamos que, mais flexível, o que torna os produtos mais acessíveis. A segunda medida seria gerenciar mais exportações para as empresas nacionais e internacionais, para que assim ambas pudessem quitar suas dívidas.

De acordo com a pesquisa da CNI, a expectativa de novos empreendimentos e serviços aumentou 1,4 ponto em fevereiro e atingiu 48 pontos. Como explicar esse aumento?

Embora o índice tenha aumentado, quando se atinge a linha de 50 pontos significa algo positivo e com melhorias. Abaixo desse número já podemos considerar preços mais elevados nos produtos. A expectativa é de queda nos próximos meses e uma pontuação maior que 50 pontos, o que faz alguns empresários pensarem além e investirem. Os novos empreendimentos recém-criados terão uma estabilidade considerada boa e não irão sofrer tanto com os impactos futuramente. Portanto, esse otimismo traz uma melhoria na atividade como um todo, e iremos notar isso nos próximos meses.

De acordo com o último levantamento do IBGE, o setor de serviços e comércios fecha 2016 com queda forte de 5%. Como se analisa essa queda e quais os possíveis motivos?

Foi natural que acontecesse a queda da renda. Os consumidores pararam de comprar e a indústria, consequentemente, parou de produzir, e veio a onda do desemprego. Na medida em que se reduziram as demandas na área de serviços, como o lazer, o impacto veio em forma de quedas. Essa queda começou mais focada nas indústrias e agora abrange as mais diversas áreas, tais como serviços e comércio. A crise está sendo forte para todo mundo. Esses serviços precisam aumentar a produtividade para reduzir seus custos e, assim, conseguir mais espaço. A saída é você conseguir espaço entre esse público. Mas é novo e será um processo lento de recuperação, porque os consumidores ficaram no vermelho por muito tempo, então precisam se estabilizar para ter uma retomada.

No Distrito Federal, 93% das atividades econômicas são voltadas para o comércio e serviço. Como analisa esse impacto tanto aqui no DF como no país?

Aqui é natural que se tenha um número bastante elevado, já que a participação das indústrias não é tão grande nessa região. Mas, por outro lado, se tivesse uma carga maior para essa área, grande parte dos recursos seriam concentrados aqui. Mesmo com o PIB bem alto, grande parte das indústrias não acha benéfico manter o controle aqui. É mais fácil e melhor para as empresas ficarem em locais mais próximos, e deixarem outras áreas ligadas ao comércio e serviço.

Em um contexto geral, quais são as razões e motivos desses problemas que estão ocorrendo, em seu ponto de vista econômico, além da crise?

A crise é a principal. Inflação muito alta, falta de recursos controlados, problemas políticos que acabaram paralisando. Problemas que envolvem diretamente a economia, como política. Toda essa bagagem trouxe esse resultado em que estamos agora. O excesso do gasto público. Esperamos que a taxa de juros caia em um ritmo bom, e é difícil dar um prazo. Esse processo ainda deve continuar durante um bom tempo, mas não se tem um tempo exato para dizer. O que acaba deixando o Banco Central bastante preocupado com isso por envolver aumentar essas quedas nas taxas de juros.

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