Reformar ou reconstruir?

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Por Fernando Duarte

 

Reformar é a palavra da moda e a principal agenda de um governo em crise de nervos, de recursos e de legitimidade.

Mas seria REFORMA a palavra adequada para o que o Brasil necessita no momento? Que tipos de reformas serão capazes de ser realizadas pelo Congresso atual?

Serão REFORMAS ou reformas?

RECONSTRUÇÃO, eis o que precisamos mais do que apenas “reformas”. Precisamos de uma completa reconstrução e não mudanças estéticas “para inglês ver”. Mudanças profundas, corajosas, que sejam capazes de remover os pilares carcomidos de uma antiga política corrompida e imoral que nos legou um país ineficaz, pobre, inculto, moribundo…

Podemos dizer que graças à pior crise econômica brasileira finalmente temos a maior oportunidade da história recente para realizar transformações significativas que almejamos há décadas. Será que a classe política terá a coragem que o momento demanda?

Vivemos momentos cada vez mais inéditos, onde se desfigura o quão ineptos foram nossos governantes e políticos recentemente. Toda obra precisa de arquitetos e no caso de um país são justamente os congressistas que cumprem o papel de arquitetar nosso futuro, de elaborar e aprovar os projetos de lei que reconstruirão os fundamentos para uma nova nação.

O grande desafio do momento é o fato de justamente a maioria de nossos “arquitetos” estarem acuados pela Lava Jato, com medo da impopularidade. Acabou a hora da demagogia e da irresponsabilidade que levaram o Brasil ao fundo do fundo do poço. Com a casa caindo não há mais para onde correr. As reformas são o mínimo para quem não é capaz de uma grande reconstrução. Nosso Congresso Nacional precisará ter a firmeza para executar mudanças complexas, dolorosas e impopulares.

A impressionante trajetória de Mahatma Gandhi, maior líder indiano, cujas frases e citações continuam a inspirar gerações e formadores de opiniões em todo o mundo, pode ajudar a iluminar esse período político nebuloso e desafiador.

Certa vez uma mãe pediu ao Gandhi para ajudar a filha, diabética:

“Por favor, peça a minha filha para não comer açúcar.”

Gandhi, depois de uma pausa, disse:

“Me traga sua filha daqui a duas semanas.”

Passadas duas semanas voltou com a filha e Gandhi, olhando bem fundo nos olhos da garota, disse:

“Não coma açúcar.”

Agradecida, mas curiosa, a mãe perguntou:

“Por que me pediu para voltar em duas semanas? Você não podia ter dito a mesma coisa antes?”

E Gandhi respondeu:

“Duas semanas atrás eu ainda comia açúcar”.

Os ensinamentos que conseguimos passar são aqueles que de fato praticamos em nossas vidas. Verdadeiras reconstruções são realizadas por líderes com integridade, coerência e abnegação, como demonstrado por Gandhi.

Para realizar reformas bem-sucedidas precisamos começar por nós mesmos, por nosso interior e por nossas atitudes!

A crise nos traz a esperança de um despertar de novos líderes. Gandhi surgiu justamente em uma época de grande crise entre a Inglaterra e sua colônia Índia. Sua incrível resistência por meio de uma revolução pacífica foi depois copiada por Martin Luther King Jr. na sua luta pelos direitos civis dos negros nos EUA.

Mahatma Gandhi liderou seu povo rumo à liberdade, imagine uma população com cerca de um bilhão de pessoas, na década de 1940, um povo com mais de 150 religiões completamente diferentes, com os meios de comunicação precários da época, apanhando da polícia apenas por fazer parte de uma manifestação. Nesse cenário de caos e complexidade ele comandou uma revolução sem armas, pacífica. Um marco foi mobilizar milhares de pessoas na famosa Marcha do Sal, na qual centenas de pessoas foram presas na praia apenas por fazer seu próprio sal.

Precisamos de líderes que mostrem com suas vidas o caminho a seguir. Gandhi nos deixou uma mensagem fundamental para reformar ou reconstruir uma nação. Ele disse que “Precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo!”

* Fernando Duarte é empreendedor e palestrante.

fernando@hightouch.com.br

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