Do anonimato ao protagonismo em uma legislatura

Por Lucas Lyra

 

O nome de Rodrigo Maia (DEM-RJ) se tornou uma constante em praticamente todas as conversas sobre política no último ano. O parlamentar passou de um relativo desconhecido político para a principal figura de um Congresso que ganhou muita preponderância nos processos de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer.

O carioca, porém, está longe de ser “carta nova no baralho”. Filho de César Maia, emblemático político carioca, Rodrigo lida com as artimanhas da política desde muito cedo. César era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e reprimido pela ditadura brasileira, se exilou no Chile, onde conheceu sua esposa e tiveram gêmeos: Rodrigo e Daniela. No Chile, César se formou em Economia na Faculdade de Santiago em 1972, ao lado de José Serra (PSDB-SP).

Em seu quinto mandato como deputado federal, Rodrigo não havia conseguido protagonismo no Congresso até agora. A bem da verdade, o chileno-brasileiro nunca teve uma votação expressiva em nenhum de seus pleitos até o momento. Sua melhor performance foi nas eleições de 2006, quando conseguiu se eleger pela terceira vez consecutiva à Câmara dos Deputados com 235 mil votos. Foi o terceiro parlamentar mais votado do estado do Rio de Janeiro.

Em 2012, Maia enfrentou seu maior vexame eleitoral. Em sua primeira investida fora da Câmara, foi candidato a prefeito do Rio. Apesar de gozar do tempo de televisão e rádio correspondentes a um candidato majoritário, recebeu menos votos que quando candidato a deputado federal em 1998, 2002 e 2010. Pouco mais de 2% dos cariocas escolheram Maia como seu representante.

A crise aumentou para o político em 2014, quando obteve a pior votação de toda sua carreira. Com pouco mais de 53 mil votos, Maia foi o 29º deputado mais votado do RJ.

Atuação

O carioca não havia tido grandes atuações como deputado federal até 2017. Em sua primeira tentativa, em 1998, quando tinha apenas 28 anos, Rodrigo se valeu da influência de seu pai para se eleger. Apesar de ter cursado Economia como curso superior, nunca concluiu o bacharelado. O novo político tinha no currículo apenas duas passagens por bancos privados, além da breve experiência como secretário de governo da Prefeitura do Rio na gestão de Luiz Paulo Conde, entre 1997 e 1998. Em sua primeira legislatura, não obteve destaque no parlamento.

Já em 2002, Maia começou a transitar com mais desenvoltura nos corredores do Congresso. Com uma votação já mais expressiva, quase 120 mil votos, foi incluído na lista dos 100 deputados mais influentes feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Participou ativamente da CPI dos Correios, que começou a apurar os fatos do mensalão, encabeçou a oposição ao governo do então presidente Lula e foi líder do então PFL (atual DEM) na Câmara.

Candidato pela primeira vez sem coligação com outros partidos, em “chapa pura” do PFL em 2006, Maia teve a melhor performance eleitoral de sua carreira até hoje. Impulsionado pela visibilidade que teve devido a sua atuação na legislatura anterior, o democrata conseguiu mais de 235 mil votos, a terceira melhor votação em seu estado.

Depois de outro pleito bem-sucedido para a Câmara dos Deputados, em 2012, Maia resolveu buscar seu primeiro cargo no Executivo e teve seu maior fiasco público como resultado. Enquanto Eduardo Paes (PMDB) venceu as eleições e obteve 2,1 milhões de votos, Maia ganhou meros 2% do eleitorado carioca totalizando pouco mais de 95 mil votos. Mesmo contando com muito mais recursos financeiros e mais tempo em rádio e televisão, obteve menos votos que em 1998, 2002 e 2010, quando pleiteava vaga na Câmara.

Volta por cima?

Depois de outro fiasco eleitoral em 2014, quando se elegeu com pouco mais de 53 mil votos, a maré começou a virar para Maia. O deputado passou a ganhar destaque nas CPIs instauradas na Câmara e com o impeachment de Dilma.

Com a queda de Cunha da presidência da Câmara no último ano, Maia empreendeu surpreendente campanha quando Rogério Rosso (PSD-DF), mais próximo de Cunha e do chamado “centrão” (bloco informal de partidos que soma em torno de 220 deputados) era o “favorito” para o cargo.

Ao assumir a presidência, Maia agradeceu a seus apoiadores, dando ênfase aos líderes de esquerda, como Afonso Florence (PT-BA) e Orlando Silva (PCdoB-SP) que viabilizaram sua ascensão à presidência da Casa. “Vamos a partir de amanhã tentar governar com simplicidade. Nós temos muito trabalho a fazer, nós temos que pacificar esse plenário. Nós temos uma pauta do governo para discutir, mas também uma pauta da sociedade, que é também muito importante”, disse no ato da posse.

Desde então, o antes ordinário parlamentar mostra invejável desenvoltura na condução dos processos da Casa. Um articulador e meticuloso mediador, sem abrir mão da voz e pulso firmes em momentos tensos como as votações das reformas e da denúncia da PGR contra Temer.

Como presidente da Câmara dos Deputados, já atuou como presidente da República em exercício por diversas ocasiões, com plenos poderes. Em caso de renúncia ou afastamento de Michel Temer, Maia assumiria a Presidência até que novas eleições fossem realizadas.

Processos

Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas

O proeminente parlamentar também é alvo de investigações pela operação Lava Jato da Polícia Federal e outros escândalos de corrupção. Segundo delações de executivos da construtora Odebrecht, por exemplo, Maia seria o “Botafogo” da planilha do “departamento de propinas” da construtora. Nos documentos, constam repasses que chegam à casa dos milhões de reais em caixa dois, que teriam sido doados irregularmente para as campanhas eleitorais do parlamentar.

Diretores da construtora OAS também disseram ter pago quantias ilegais a Rodrigo Maia para defender interesses da empresa dentro do Congresso. A PF chegou a concluir o inquérito sobre o episódio, onde afirma: “Com base em toda a prova colhida no decorrer da presente investigação, logrou-se êxito em confirmar integralmente a hipótese inicial aventada, qual seja, a de que o deputado federal Rodrigo Maia efetivamente praticou diversos atos na defesa de interesses da construtora OAS, durante os anos de 2013 e 2014, tendo, em contrapartida, solicitado doações eleitorais ao presidente da pessoa jurídica”.

Antes, Maia apareceu ainda na polêmica lista de Furnas, que supostamente forneceu dinheiro via caixa dois para campanhas nas eleições de 2002. O parlamentar teria recebido R$ 200 mil irregularmente.

 

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