Será Janot o Robespierre do 2º milênio?

Por João Pedro Marques

 

As revoluções burguesas foram um marco na história da sociedade, que a partir delas, mudou de lógica produtiva e alterou as relações de poder entre as classes sociais. O movimento deu à burguesia o “exercício da dominação social e da hegemonia política”. Culminando na Revolução Francesa, em 1789, o movimento representou a ascensão das massas perante as antigas oligarquias exploradoras e foi o marco do fim da idade moderna e o início da idade contemporânea.

Como expoente da revolução, o advogado Robespierre empurrou a Revolução Francesa até o limite, executando diversos revolucionários mais moderados que ele e até o Rei Luís XVI. Símbolo máximo da agora aclamada revolução, Robespierre, porém, também era muito contestado. Apelidado de “o Tirano” ou “Ditador Sanguinário” pelos seus inimigos, aclamado como “o Incorruptível”.

Assim como no episódio francês, o “governo revolucionário” na versão tupiniquim da Revolução Francesa é exercido por operadores da Justiça, que dia após dia, decidem quem vai para a forca. Talvez Rodrigo Janot, em sua atuação alucinante de ultimo mês no cargo, se qualifique como o Robespierre brasileiro dos dias atuais.

O procurador, que pretendia manter sua máxima “pau que bate em Chico bate em Francisco”, tentando combater os que não consideram sua atuação isenta, denunciou gregos, troianos, petistas e psdbistas nos seus últimos dias no cargo.

Porém as flechas de prata distribuídas “à granel” pelo procurador, podem acabar caindo sobre seu próprio peito. Janot acabou colocando os pés pelas mãos em entrevistas coletivas desastradas, como quando insinuou que quatro ministros do Supremo Tribunal Federal poderiam estar envolvidos em esquemas de corrupção, quando na verdade as suspeitas principais para todos envolvidos recaíam no antigo braço direito de Janot na PGR, Marcelo Miller, implicado no acordo de delação premiada da JBS como agente duplo.

Perante o caos criado pelo próprio procurador em seus últimos dias no cargo, que até então era marcado por serenidade e correção, a PGR sai diminuída dentro do forte Judiciário que continua a ganhar força no país. Porém, o próprio Janot é quem mais sai machucado de todo o constrangimento causado pelas ultimas equivocadas flechas de Janot. Mesmo que as provas obtidas a partir da delação dos executivos da J&F não percam validade junto aos seus respectivos acordos de delação, é bem provável que como “O incorruptível” francês, o procurador tenha o mesmo destino da maioria de seus alvos: a forca.

 

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