Vídeos de Funaro acirram tensões entre Maia e Temer

Por Lucas Lyra

 

A publicação dos vídeos da delação premiada do doleiro Lucio Funaro pela Câmara dos Deputados, onde Funaro acusa o presidente Michel Temer de vários crimes, aumentou o já crescente atrito entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o mandatário do Planalto.

Os vídeos foram disponibilizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Câmara no dia 22 de setembro, que disponibilizou o conteúdo ao publico no dia 29 do mesmo mês. O ministro Edson Fachin, do STF, afirmou entender que os arquivos “não deveriam ter sido divulgados” pois o sigilo sobre o material não foi retirado.

Durante o depoimento dado à Procuradoria Geral da República (PGR), Funaro, acusado de ser o operador do chamado “quadrilhão do PMDB”, afirmou que Temer solicitou doações irregulares para a campanha de Gabriel Chalita (PMDB) a prefeitura de São Paulo em 2012 por meio do então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo o doleiro, ele era responsável pela captação da verba junto a empresários, como os donos da J&F, por exemplo, e entregar a Cunha, que faria o repasse dentro da Câmara, inclusive o ex-ministro Henrique Alves (PMDB-RJ) e o próprio Temer.

Funaro também afirma ter retirado R$1 milhão no escritório do advogado José Yunes, amigo pessoal de Temer, para entregar ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.

“Lenha na fogueira”

O episódio vem para se juntar a outros atritos já latentes entre Temer e Maia. O advogado do presidente, Marcelo Carnelós, publicou uma nota na noite de sábado (14), condenando a disponibilização dos conteúdos pelo presidente da Câmara. Segundo ele, a “divulgação dos vídeos constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito”.

Carnelós vai além, e diz que a divulgação dos arquivos “tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia como forma de constranger parlamentares que, na CCJC [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania] da Câmara dos Deputados, votarão no dia 18 o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição ao pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer pelo ex-Procurador-Geral da República”.

A reação da defesa de Temer causou muita inquietação no presidente da Câmara, que se sentiu pessoalmente atingido pelas palavras de Carnelós. “Da minha parte, uma perplexidade muito grande ver o advogado do presidente da República, depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia, ser tratado de forma absurda e – vamos chamar assim – sem nenhum tipo de prova, de criminoso”, disse Maia sobre a declaração da defesa de Temer.

O carioca inclusive já avisou que terá uma postura diferente na votação da segunda denúncia contra o presidente em relação à primeira oportunidade. “Daqui para frente, vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a sessão”, disse.

Após os diversos recentes atritos entre Temer e Maia, e diante da importância da aliança do presidente da Câmara para o chefe do Executivo, em face da denúncia que tramita na Câmara, Temer busca formas de “reconquistar” o aliado.

Antônio Imbassahy (PSDB-BA) foi enviado por Temer na noite deste domingo para conversar com Maia e tentar atenuar o atrito entre os dois. O carioca insistiu que subiria ainda mais o tom caso a defesa de Temer não emita uma nova nota se desculpando pelo incidente, apesar de afirmar que para ele, “o assunto está acabado”.

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