“Grampolândia pantaneira” é destaque em um dos maiores jornais do mundo

Por Lucas Lyra

 

O jornal espanhol El País, um dos maiores do mundo, está acompanhando de perto a situação da “grampolândia pantaneira”. O jornal produziu uma reportagem completa sobre o escândalo, responsável pelo o que a publicação chamou de “paranoia política” no Estado.

Sob o título “Poder, sexo e milhares de grampos ilegais: Mato Grosso mergulha na paranoia política”, a publicação diz que os escândalos se acumulam de tal forma, que basta qualquer movimentação da Polícia Federal para que a histeria tome conta de autoridades e jornalistas locais.

A trama atualmente competiria com qualquer bom enredo de filme de ação em cartaz nos cinemas. As investigações indicam, até agora, uma narrativa repleta de ambição, poder, dinheiro e sexo, diz o jornal.

O El País ressaltou que as suspeitas recaem, até o momento, sobre Paulo Taques, primo do governador. Paulo foi o coordenador jurídico da campanha que levou Taques ao governo e ocupou a chefia da Casa Civil do Estado até a deflagração do escândalo das escutas, que culminou na prisão do primo do governador.

Investigações

Segundo o jornal espanhol, as investigações mostram que Paulo teria pago R$50 mil a um policial militar, que serviria para comprar o equipamento de gravação necessário às escutas ilegais. Paulo também teria alugado o escritório no centro de Cuiabá onde ficou sediada a central de grampos ilegais.

Os alvos dos grampos foram dos mais diversos, entre autoridades, políticos, advogados e jornalistas. Segundo a publicação, o ex-chefe da Casa Civil do Estado operava de duas maneiras: nomes de pessoas completamente alheias a operações em andamento eram incluídas nas interceptações telefônicas requisitadas a juízes; ou, os alvos de Paulo eram simplesmente grampeados por seus comparsas, sem nenhuma espécie de “véu de legalidade”.

A ex-servidora do estado de MT, Tatiana Sangali, diz o El País, protagoniza partes espetaculares do enredo revelado pelas investigações. Sangali seria ex-amante de Paulo Taques, e teve seu telefone grampeado em duas oportunidades, uma com autorização judicial, e outra sem.

Para justificar a interceptação legal, o jornal indica que o primo do governador entregou um documento a delegados afirmando que, insatisfeita com o fim da relação, Sangali teria a intenção de dopar Paulo e Pedro para fotografá-los nus com outros homens, na intenção de constrangê-los.

O delegado Flávio Stringueta, um dos responsáveis pelas investigações, afirma que as suspeitas de Paulo não se confirmaram com as escutas. “Como havia a questão da ameaça contra o governador, durante 45 dias a Tatiane foi grampeada legalmente. Mas nada se comprovou. O que sabemos é que, antes dessa história da ameaça, ela também foi grampeada de maneira irregular”, disse.

Prisões

O El País ressalta que o governador, até agora, não parece envolvido com as irregularidades, mas Stringueta não descarta a possibilidade: “Temos de perguntar: ‘a quem interessa grampear tantos adversários políticos do governador?’ Fazendo uma construção ideológica chega-se à conclusão que ele é o maior beneficiado. Mas ainda não encontramos as provas”, afirmou.

Até agora, incluindo Paulo Taques, 10 pessoas foram presas por participação no esquema, entre elas, o ex-secretario de segurança publica de MT, Rogers Jarbas, e quatro coronéis da PM: o ex-secretário de Justiça, Airton Siqueira Junior, o ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, seu adjunto, Ronelson Barros e o ex-comandante geral da PM no Estado, Zaque Barbosa.

 

*Com informações do El País

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