Marun, um elefante em loja de cristais – confira esta e outras notas na coluna desta quarta-feira

Taques dando a volta por cima

Enquanto vários estados brasileiros vivem momentos de crise brutal e busca soluções que contribuem para a gravar a situação, em Mato Grosso o governador Pedro Taques está dando a volta por cima. Vamos ser justos. As coisas não estão ainda mil maravilhas, mas a capacidade de reação de Taques perante a crise é elogiável. Peguemos os exemplos do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. Todos afundados num caos econômico e social. Neste último, há uma greve de policiais militares. Quando estes resolvem paralisar é porque a situação é muito grave. O governo de lá, incapacitado de resolver os problemas econômicos, teve que recorrer à Força Nacional de Segurança.

Mato Grosso sua capacidade de reagir

Aqui em Mato Grosso são justos os descontentamentos de vários lados. Mas temos que admitir que as soluções estão vindo. A liberação do FEX (Auxílio de Fomento às Exportações) é uma conquista para os mato-grossenses. São quase R$ 500 milhões a reforçar o caixa do governo, permitindo assim, contabilizando-se com outros recursos, sanear dívidas diversas. Ressalte-se aqui o trabalho da bancada federal do Estado, em especial do senador Wellington Fagundes, pela inclusão de Mato Grosso no recebimento do FEX.

Governador ciente de seus compromissos

Também creio ser lícito reconhecer que o governador Pedro Taques é um homem ciente de seus compromissos e não vai deixar de cumpri-los, apesar de todas as diversidades. Não podemos deixar de lembrar que ele herdou uma administração falida e alvo da ganância dos ocupantes do governo anterior, atualmente processados e presos por terem tomado de assalto o Estado. Há quem possa dizer que, três anos de administração não se pode mais culpar o governo anterior, mas devemos reconhecer que não foi e nem está sendo fácil corrigir as monstruosidades cometidas.

Itamaraty expulsa diplomata da Venezuela

O governo brasileiro também decidiu declarar o encarregado de negócios da Embaixada da Venezuela no Brasil, Girard Antonio Delgado Maldonado, como persona non grata. Na prática é a expulsão do Brasil e o trocou à decisão da Venezuela, que no último sábado (23), declarou o embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, como persona non grata. A expulsão mútua ainda não significa um rompimento de relações diplomáticas entre os dois países, mas pelo andar da carruagem, está próximo disso.

Demissão de William Waak e a crise da Globo

Um passarinho, vindo ali da 701 Norte, onde fica a sede da Rede Globo em Brasília, me contou que as circunstâncias da demissão de William Waak foi uma coisa planejada. A Globo está com planos de demitir todos os grandes salários. Devido à crise que a abate neste 2015, os enxugamentos são constantes. Desde a semana passada, além de Waak, já foram demitidos dez  jornalistas de todo o Grupo Globo. Quanto ao ex-apresentador do Jornal da Globo, segundo a fonte, o vídeo com sua fala racista foi apenas um pretexto. Waak, por outro lado, já foi contratado pelo SBT.

Europa suspende compra de pescado brasileiro

Uma má notícia para a economia nacional neste final ano: a União Européia suspendeu a compra de pescados brasileiros. O anúncio foi feito ao Ministério da Agricultura e a suspensão valerá a partir de de 3 de janeiro. As razões são supostos problemas de fiscalização sanitária. Em setembro, uma missão veterinária do bloco econômico europeu concluiu que mudanças solicitadas em visitas anteriores ainda não tinham sido realizadas. Uma comissão verificou que o sistema de controle da produção de pescado brasileiro tem graves falhas e deficiências, especialmente no que se refere à qualidade dos barcos pesqueiros.

Marun, um elefante em loja de cristais

O novo ministro da Secretaria de Governo mal assumiu e já mostrou o que de fato é: um elefante em loja de cristais. Marun poderá até ajudar o presidente Temer a aprovar a reforma da Previdência e outras propostas em curso. Mas também contribuirá para aprofundar o desgaste político do governo. O ministro, sem papas na língua, afirmou claramente que utiliza recursos de bancos públicos, em especial a Caixa Econômica, para barganhar e chantagear governadores para amealhar votos para aprovar a reforma previdenciária. E fala como se fosse a coisa mais normal do mundo e com uma justificativa que brinca com a inteligência do cidadão (ver frase ao final da coluna).

Votação da reforma ainda não está garantida

O governo trabalha duro e com armas nada republicanas, como a anunciada pelo seu ministro de Governo, mas o fato é que a votação da proposta de reforma da Previdência não está garantida. A data foi marcada: 20 de fevereiro, logo depois da volta do recesso parlamentar. Contudo, como se sabe, o Palácio do Planalto só manda para votação de tiver a garantia de 330 votos, ou seja, 22 além dos 308 necessários para a sua aprovação. E o governo ainda não tem este número. Pela contabilidade do próprio Marun, até agora estão garantidos apenas 290. Se não voar neste início do ano, dificilmente votará mais adiante. Lembrando que estamos em ano eleitoral e que a partir de abril os deputados já estarão envolvidos em campanhas em seus estados. Além disso, não vão querer se desgastar diane de um tema tão polêmico.

Marcelo deve ficar de fora da Odebrecht

Depois de brigar com o pai, Emílio, que nem o visitou na prisão e sequer passaram o Natal juntos, Marcelo Odebrecht deverá ficar definitivamente fora da empresa da família. Em prisão domiciliar desde o dia 19 último, Marcelo é persona non grata na empreiteira e na família. O patriarca Emílio não gostou do comportamento do filho na condução dos negócios pré-Lava Jato e durante todo o processo que sofreu na operação que teve a Odebrecht como um de seus principais alvos. Uma das saídas para deixar o filho de fora foi anunciada pelo velho Emílio: ninguém, nem ele próprio, ficará mais à frente dos negócios da companhia.

Estaleiro pagou propina no governo FHC para obter contrato com a Petrobras

É o que revela um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, revelado esta semana. O documento mostra que o estaleiro Keppel Fels, de Cingapura, e um dos maiores do mundo, pagou propina para assegurar que ganharia um contrato no governo de Fernando Henrique Cardoso para a construção da plataforma P-48 para a Petrobras. O suborno de US$ 300 mil (equivalente hoje a R$ 994 mil) teria sido pago em 2001 e 2002 para “funcionários do governo”, de acordo com o documento.

Frase do Dia

“Queremos que os governadores nos auxiliem na aprovação da reforma. Não vemos como chantagem o governo atuar num aspecto tão importante para o Brasil. O governo espera uma reciprocidade dos governadores que têm recursos e financiamentos a ser liberados. Não é retaliação, é um pedido de apoio”.

Ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo.

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