Procuradora quer suspensão de indulto natalino de Temer. Confira esta e outras notas da coluna de hoje

Centro entra 2018 sem candidato competitivo

As chamadas “forças de centro e de centro-direita” do espectro político-partidário nacional estão sem um candidato competitivo para 2018, ano que se inicia daqui a poucos dias. Ou seja, a praticamente dez meses para as eleições, o centro se debate na falta de um nome que irá contrapor a esquerda (na figura do ex-presidente Lula ou quem ele apoiar, caso seja impedido de se candidatar) e a ultra-direita (encarnada no deputado Jair Bolsonaro). Já se tentou de tudo, mas até agora os nomes colocados patinam nas pesquisas ou estão envoltos em denúncias de corrupção ou na órbita de escândalos.

Nomes não inspiram eleitores

Para além de suas possibilidades futuras, o que está ocorrendo até agora é que este centro e centro-direita ainda não encontrou um anti-Lula à altura para substituir Bolsonaro ou ao menos rivalizar com ele. João Doria, Geraldo Alckmin, Luciano Huck, Henrique Meirelles e agora Rodrigo Maia. Nenhum conseguiu discurso e articulação política para aglutinar os partidos de seu arco de alianças em torno de si. O DEM, que pretende lançar Maia, se depara agora com uma grave denúncia contra o presidente da Câmara (ver nota abaixo). Huck tem uma capivara que atende pelo nome de Alexandre Aciolly, seu sócio (ver mesma nota). Dória foi praticamente veado pelo PSDB, que lançou Alckmin, que, no entanto, não decola. Meirelles não tem apoio do presidente Michel Temer e se a política econômica naufragar até o pleito, ele afoga junto.

Maia recebeu R$ 120 milhões de ‘caixa 3’

É o que revela um relatório da Polícia Federal sobre investigação do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, Há indícios de que suas campanhas eleitorais receberam dinheiro de empresas a mando da Odebrecht. É o que está sendo chamado pelos investigadores de “caixa 3”, ou seja, a doação irregular a um político feita por uma empresa a mando de outra. O mesmo aconteceu com Aécio Neves, que recebeu R$ 5 milhões da Odebrecht via empresa do sócio de Luciano Huck, Alexandre Aciolly.

Marun coloca governo em saia justa

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, colocou o governo do presidente Michel Temer numa tremenda saia justa. No mínimo. Isto porque o condicionamento que ele vinha fazendo de liberação de verbas de bancos públicos para governadores e prefeitos que pressionassem os deputados de suas bases a votarem na reforma da Previdência foi um iro que saiu pela culatra. Ninguém gostou de ser pressionado. Alguns fizeram a leitura de que tudo não passou de pura chantagem. Ontem, governadores do Nordeste enviaram carta pública ao presidente Temer protestando contra as investidas de Marun. No documento, os governadores prometem acionar política e judicialmente os agentes públicos envolvidos, caso a “ameaça” de Marun se confirme.

Fenafisco também se posiciona

A Federação Nacional do Fisco (Fenafisco) também divulgou nota ontem criticando a declaração do ministro Carlos Marun de que o Planalto espera que governadores apoiem a reforma da Previdência como uma “reciprocidade” pela liberação de verbas e financiamentos pelo governo federal. Para a entidade, a afirmação do ministro fere o artigo 37 da Constituição Federal, que dispõe sobre os princípios da Administração Pública. “A conduta confessa de Marun ofende de maneira inequívoca o princípio da Impessoalidade, já que se serve de um critério pessoal para repassar ou deixar de repassar dinheiro público para esse ou aquele governo estadual, a depender do apoio às políticas do governo federal”, diz nota.

Ministro do Trabalho deixa o governo

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, pediu demissão ontem (27) ao presidente Michel Temer. A alegação é de que ele deixa o governo porque irá se candidatar à reeleição em 2018. Ele é deputado federal pelo PTB. Como o prazo para desincompatibilização é somente em abril, especula-se que a demissão tenha relação com a queda do nível de emprego em novembro e uma projeção de queda ainda maior em dezembro e janeiro. No lugar de Nogueira, o governo vai nomear o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA).

Pizzolato é beneficiado por condicional

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, concedeu liberdade condicional ao ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Membro do PT, Pizzolato foi condenado no chamado “mensalão petista” a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Pizzolato havia fugido para a Itália logo após sentença do Supremo em 2014. Em maio de 2015 ele foi extraditado e ficou preso na Papuda, aqui em Brasília.

PMDB pode expulsar o ex-ministro Geddel

A decisão não está sendo avaliada pelo PMDB nacional. A análise é dos dirigentes peemedebistas da Bahia, estado do ex-ministro da Secretaria de Governo. Geddel Vieira Lima está preso por corrupção depois que encontraram em um apartamento de sua propriedade em Salvador (BA) mais de R$ 51 milhões em malas e caixas. Para seus correligionários a expulsão só irá acontecer se for provado que o dinheiro era dele.

Ferraz confessa que pegou malas para Geddel

Além das digitais de Geddel encontradas no dinheiro e da declaração de um ex-assessor seu na Câmara de que ajudou a contar as noas, agora aparece a confissão feita do ex-chefe da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Pedreira Ferraz, à Polícia Federal que pegou malas de dinheiro em um hotel, em São Paulo, para Geddel, em 2012. Ferraz, que era homem de confiança de Geddel, afirma que a viagem à capital paulista pode explicar o fato de suas digitais terem sido encontradas nas cédulas do apartamento.

Procuradora quer suspensão de indulto de Temer

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, protocolou junto ao Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o indulto natalino decretado pelo presidente Michel Temer. O decreto, que, entre outros criminosos, beneficia os condenados pelos crimes de colarinho branco, recebeu muitas críticas, especialmente pelos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Frase do Dia

“Brasileiros clamam por mais justiça e menos corrupção. Governo Temer responde com menos justiça e estímulo a mais corrupção. O povo brasileiro está cansado de ser insultado. Insultado por um presidente, por alguns ministros do STF e por muitos parlamentares lenientes com a corrupção. A melhor resposta que os brasileiros podem dar é nas urnas”.

Deltan Dallagnol, procurador e coordenador do Ministério Público de Curitiba.

 

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