As últimas movimentações dos pré-candidatos a presidente. Este e outros assuntos estão na coluna de hoje

Suspensão de posse de Cristiane é inconstitucional

A escolha de um ministro de Estado é uma prerrogativa do presidente da República e qualquer iniciativa contrária, por parte do Judiciário ou do Legislativo, torna-se uma interferência de outro poder sobre o Executivo. É assim que temos que olhar a decisão do juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4a Vara Federal de Niterói (RJ), que concedeu decisão liminar para suspender a nomeação e a posse da nova ministra do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil. Não se rata de deixar de observar que a indicada possa ter telhado de vidro. Sua contraditória postura enquanto empregadora com a de futura ministra do Trabalho é politicamente um ponto desfavorável a ela. Mas do ponto de vista técnico, ela reúne as condições previstas para ocupar o cargo. O inevitável desgastes político dela, do pai, Roberto Jefferson, que a indicou, e do presidente Michel Temer, que a aceitou deve ser pago por eles perante a sociedade e a ninguém mais.

Suplente de Cristiane é condenado por estupro

A escolha de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho trouxe um extenso rosário de questões negativas envolvendo seu nome. Além das ações trabalhistas em que foi derrotada, dos R$ 200 mil recebidos de propina da Odebrecht e de outros envolvimentos com ilícitos, agora se sabe que o suplente que deverá assumir no lugar dela, caso seja empossada, é um condenado a 12 anos de prisão em regime fechado por estupro e exploração de menores. Trata-se do ex-vereador de Campos dos Goytacazes, Nelson Nahim (PSD-RJ). Nahim é irmão do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PR), e foi condenado por envolvimento no caso das “Meninas de Guarus”.
Não que Cristiane tenha algo a ver com o criminoso. Longe disso. Mas é no mínimo desconfortável saber que no lugar dela poderá assumir uma pessoa dessa espécie.

Braskem blinda Aécio Neves…

Quem afirma é o empresário Marcelo Odebrecht, em depoimento à Polícia Federal. Segundo ele, a Braskem, braço petroquímico do grupo Odebrecht, se nega a enviá-lo emails que implicariam parlamentares como o senador Aécio Neves. A informação é do jornal Folha de S. Paulo. Em depoimento prestado em novembro de 2017, Odebrecht falou sobre “apoios prestados” ao grupo empresarial em “atos legislativos”, como medidas provisórias, em troca de doações eleitorais oficiais, propina e caixa dois. O empresário disse que a afirmação pode ser comprovada por mensagens electrônicas trocadas com executivos da Braskem, mas a empresa teria negado o fornecimento dessas informações alegando que se tratavam de emails classificados como “privilegiados por transitar pela área jurídica”.

…e Serra recebeu propina de R$ 23,3 milhões

A acusação é do ex-presidente da Odebrecht de 2002 a 2008 e delator da Lava-Jato, Pedro Novis. De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, Novis acusa o senador José Serra (PSDB-SP) de receber para si ou solicitar para o partido R$ 52,4 milhões de 2002 a 2012. Ele relatou pagamento de “propina” de R$ 23,3 milhões em 2010, como contrapartida à liberação em 2009, pelo governo paulista, de R$ 170 milhões em créditos a uma empresa da Odebrecht. Serra disse que as acusações são falsas e que “jamais recebeu qualquer tipo de vantagem indevida de qualquer empresa ou indivíduo, especialmente da Odebrecht”.

Aldo Rebelo coloca seu nome na corrida presidencial

O ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo se apresentou ao PSB como pré-candidato a presidente da República. Em carta à direção do partido, Rabelo, que se desligou recentemente do PC do B, ofereceu seu nome para a disputa. Para Rebelo o PSB deve ser o articulador de uma ampla aliança de  forças políticas, sociais e econômicas “em torno de uma plataforma de reconstrução e afirmação nacionais”. Para ele, o PSB deve ter um discurso nacionalista.

Joaquim Barbosa será preterido

Se o PSB aceitar a candidatura de Aldo Rebelo, o que é bastante provável, as pretensões do ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, vão para o brejo. O próprio Barbosa já não enxerga mais essa possibilidade para ele. Há uma ala do partido que quer que seja ele o candidato e não Rebelo. Mas este setor partidário é pequeno e de pouca influência nas decisões do socialistas.

Cármen Lúcia é confrontada com suas contradições

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, acaba de ser confrontada com a dura realidade dos presídios nacionais. Superlotação, domínio de facções criminosas e injustiça de milhares de presos cumprindo pena além da conta, reclusos provisoriamente ou que tenha cometido crimes leves, mas convivendo num inferno que acaba transformando todos em monstros. Este é um quadro que poderia ter sido se não resolvido ao menos amenizado com o decreto de indulto do presidente Michel Temer, que ela, por meio de liminar, acabou limitando. Soa como uma certa incoerência ela ir a um estado, Goiás, dar lições de moral lá, sendo que como ministra poderia ter contribuído para evitar essa tragédia que vivem as penitenciárias Brasil afora.

Maia já está em campanha

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já está praticamente em campanha pré-eleitoral. O nome dele foi lançado por lideranças do DEM, seu partido, mas de forma discreta. E da mesma forma, Maia costura alianças em torno de seu nome. Entre os partidos que mantém conversações estão o PP e o Solidariedade. Ele espera angariar o apoio de boa parte dos partidos que compõem a base governista.

Caixa mantém investigados nos cargos

A Caixa Econômica Federal rejeitou recomendação do Ministério Público Federal para afastar seus 12 vice-presidentes, quatro dos quais citados em investigações de corrupção e ligados ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e ao deputado cassado Eduardo Cunha, ambos atualmente presos. O próprio presidente do banco, Gilberto Occhi, foi citado na delação de Lúcio Funaro.

Ciro e Manuela unidos?

Pelo menos é este o desejo do ex-ministro e pré-candidato a presidente da República, Ciro Gomes, segundo o presidente do seu partido, Carlos Lupi. A ideia de união entre Ciro e Manuela D’Ávila (PC do B) é construir uma chapa forte de esquerda que possa agradar, sobretudo, eleitores simpatizantes do campo político que não votarão no PT ou os que ficarão sem opção caso o ex-presidente Lula seja impedido de concorrer se tiver a sua condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS). O acordo entre os dois partidos é uma possibilidade, mas não há nada fechado, afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. “Estamos conversando com o PCdoB. Ele (Ciro) sempre teve uma conversa antiga com Manuela. Claro que ela sendo candidata e se posicionando como tal, vamos respeitar”, pondera.

Frase do Dia

“Não tem nenhum sentido neste momento de pré-campanha. Na realidade, as mudanças nas pesquisas só vão ocorrer mais perto do processo eleitoral, quando a população estiver mais focada na questão da disputa e quando os candidatos estiverem definidos. Hoje, você não sabe quem vai ser candidato”.

Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB, ante as cobranças para ele deslanchar nas pesquisas.

 

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