A crise criada pela indicação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho está entre os assuntos da coluna de hoje

Petistas vão visitar presidente do TRF-4

Depois de uma forte artilharia contra os desembargadores que vão julgar o recurso do ex-presidente Lula contra a condenação do juiz Sérgio Moro, os petistas decidiram pedir audiência com o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O encontro será nesta sexta (12) com o presidente da Core, Carlos Thompson Flores, um dos alvos das fortes críticas dos petistas. A comitiva do partido será liderada pelo deputado Paulo Pimenta (RS), líder da bancada do PT na Câmara. Tida como uma visita de cortesia, a audiência acontecerá 12 dias anes do julgamento de Lula.

Deselegância de Pimenta

Logo que foi confirmada a audiência, o deputado Paulo Pimenta deu declarações no mínimo deselegantes, afirmando por exemplo que “eles precisam saber que estamos de olho”, se referindo aos três desembargadores da 8ª turma do TRF-4, responsáveis pela análise dos recursos do ex-presidente Lula. Não será surpresa nenhuma se Thompson Flores acabar cancelando a visita “de cortesia” diante do desrespeito dos petistas contra ele e os demais desembargadores. A conferir.

TRF-4 não deve prender Lula de imediato

Quem afirma é uma nota oficial divulgada pelo próprio TRF-4, que informa que detenção só acontece após todos os recursos serem julgados. A nota foi emitida pela Assessoria de Imprensa do tribunal e lembra que os “recursos possíveis são os embargos de declaração, utilizados pela parte com pedido de esclarecimento da decisão,e os embargos infringentes”. A nota está sendo interpretada com uma forma de acalmar os ânimos dos manifestantes que prometem uma jornada de protestos em Porto Alegre no dia 24 próximo.

Cristiane Brasil passou dos limites

Em que pese o fato de a decisão da justiça federal (em primeira e segunda instância) ter sido, constitucionalmente uma interferência do Judiciário no Executivo, já que a escolha de ministros é prerrogativa do presidente da República, uma decisão judicial não se discute. Cumpre-se. E foi o que o presidente Michel Temer tentou fazer. Em conversa com a deputada federal Cristiane Brasil e seu pai, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, Temer argumentou que não poderia mais nomeá-la para o cargo de ministra do Trabalho, devido a confirmação, em segunda instância, do cancelamento de sua nomeação e posse. Mas Cristiane e pai bateram o pé, num claro confronto com o presidente.

Recurso ao Supremo tenta contornar crise 

Em verdade, um nova crise se abriu no governo com o caso Cristiane Brasil. Eu conversei com uma fonte minha de dentro do Palácio do Planalto ela me disse que Cristiane e Bob Jefferson trataram Temer em tom de ameaça, chegando inclusive a abrir a possibilidade de retirada do PTB da base aliada, o que comprometeria, por exemplo, a votação da reforma da Previdência. Não bastaram os argumentos presidenciais de que era necessário acatar a Justiça. Daí a solução de levar o recurso para o Supremo. Agora a batata quente está nas mãos dos ministros do STF.

Aliados chamam Temer de “frouxo”

O clima aqui em Brasília não está nada bem para o lado de Michel Temer. O presidente está sendo considerado dentro da própria “cozinha do Palácio do Planalto” como um “frouxo”, por ceder às pressões de Cristiane Brasil e Roberto Jefferson. A fonte palaciana me contou que ministros do núcleo duro do governo, alguns dos quais que chegaram a avisar o presidente de que a deputada petebista não seria uma boa escolha, comentaram com todas as letras: “O presidente está sendo frouxo. Primeiro cedeu às pressões do Sarney. Agora cede para Bob Jefferson”.

Sarney e seu poder sobre Temer

Só para lembrar: o ex-presidente José Sarney (PMDB-MA) é hoje um dos principais conselheiros políticos de Michel Temer. Há uma semana ele havia vetado o nome do deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA), o primeiro indicado do PTB para o lugar de Ronaldo Nogueira, que pediu demissão. Fernandes é aliado do governador Flávio Dino, do Maranhão, que é rival dos Sarney. Por isto Roberto Jefferson teve que escolher outro nome e escolheu o da filha e agora não está conseguindo aceitar a rejeição e chantageia o presidente.

Sob pressão, Temer administra saúde

Os médicos do presidente Temer voltaram a alertar para que ele evite fortes tensões no dia-a-dia. Temer prometeu seguir à risca as recomendações, mas na prática isto não vem ocorrendo. O episódio da escolha do novo ministro do Trabalho tem colocado o presidente há mais de uma semana sob forte tensão. A intervenção diária de dilatamento da ureta, mais os fortes medicamentos, podem não obter resultados esperados se não houver repouso. Ainda esta semana o presidente deve voltar ao Sírio-Libanês, em São Paulo, para novos exames.

Alckmin já monta equipe econômica

Com sua candidatura a presidente sem credibilidade dentro do seu próprio partido, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), já monta sua equipe econômica. Ele anunciou que em uma semana divulgará os nomes. O primeiro será o coordenador da equipe econômica, que traçará um programa que deve priorizar a geração de empregos, adiantou o pré-candidato em entrevista aos jornalistas ontem (9), em Brasília, na qual a coluna esteve presente. Alckmin, além da equipe econômica, falou de alianças visando a eleição e não se mostrou preocupado com a pulverização de candidatos no seu campo político, o de centro-direita.

Lava Jato desloca-se para o Rio

Só para o leitor da coluna começa a observar e refletir: a Operação Lava Jato está deslocando o seu centro de atuação de Curitiba (PR) para o estado do Rio de Janeiro e retirando o foco sobre os políticos envolvidos na operação. Notem que o juiz Marcelo Bretas anda aparecendo mais que seu colega Sérgio Moro. Voltaremos com mais profundida sobre o assunto em edições futuras.

 

Frase do Dia

“Não é uma possibilidade”.

Deputada Cristiane Brasil, sobre desistir do cargo de ministra.

 

 

 

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