Deputados criticam postura de presidente da Vale na Câmara

O depoimento do presidente da mineradora Vale, Fabio Schvartsman, que esteve na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (14) para uma audiência pública na Comissão Externa de Brumadinho (MG), gerou revolta entre parlamentares.

Durante seis horas, Schvartsman deu sua versão sobre o caso e respondeu perguntas de deputados do colegiado. O executivo afirmou que a parte operacional de acompanhamento das barragens é feita por “um sistema de delegação”, e que “não é necessária uma burocracia” para decidir se é preciso agir rapidamente diante de um problema.

Schvartsman acrescentou que, no caso de Brumadinho, os gestores locais da empresa têm autonomia para tomar decisões “quando e se acharem que há perigo iminente sobre as barragens”. Na sequência, negou que haja envolvimento de outros níveis da organização nesse processo e reforçou que a mineradora “não esperava” um rompimento em Brumadinho – o que vem sendo rechaçado por órgãos públicos, especialistas e segmentos populares que acompanham o caso.

“Passando por todos os processos de monitoramento, com alta repetição de monitoramento, de tal forma, nós tivemos a convicção de que nada aconteceria com ela”, disse Schvartsman, após mencionar que a Vale “continua sem saber os motivos” do rompimento.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a deputada Áurea Carolina (PSOL-MG) foi taxativa: “É um depoimento em defesa da própria empresa. A fala inicial dele de que a Vale tinha convicção de que nada aconteceria é afrontosa, um desrespeito muito grande. Não dá mais pra ficar dizendo isso. Além disso, a gente não viu muitos gestos concretos com especificação das medidas que serão tomadas pra reparação e assistência às populações atingidas. Tem uma sinalização muito ampla, nada concreto”, criticou.

O executivo afirmou também que a Vale seria “uma joia” e, por isso, não poderia ser “condenada” pelo rompimento da barragem – “por maior que tenha sido a tragédia”. Essa declaração, especificamente, gerou irritação entre os parlamentares do campo popular.

“Eu acho que isso é uma certa ameaça, porque a Vale é muito poderosa, tem muito poder econômico, pode deixar de minerar e prejudicar o estado [de Minas Gerais]. Então, eu senti como uma ameaça. A resposta que nós temos que dar é a formação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que vai ser a única forma de responsabilizar a Vale. Eles não vão ceder a nada”, afirmou Rogério Correia (PT-MG).

Na quarta-feira (13), o petista e outros deputados da bancada de Minas articularam uma lista de assinaturas para solicitar a criação de uma CPMI para apurar o caso. O pedido aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Apesar de ter evitado críticas frontais, o presidente da Comissão Externa de Brumadinho, deputado Zé Silva (Solidaridade-MG), também alfinetou Schvartsman pela postura durante a oitiva.

“Para nós, está muito claro: se houver responsáveis, que [isso] será compartilhado entre a Vale, o governo federal, com seus órgãos, e o governo estadual [de Minas]. Mas ficou muito claro que, aqui, parece que não tem nenhum responsável”, disse.

Fonte: Brasil de Fato

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