Deputada do PSOL relata dificuldade para acessar plenário e espaços da Câmara mesmo com broche de identificação

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) relatou, nesta terça-feira, em suas redes sociais desconforto ao transitar na Câmara dos Deputados. De acordo com a deputada, que exerce pela primeira vez um mandato na Casa, desde sua posse, diariamente é abordada para identificação, mesmo usando o broche parlamentar.

— Desde o dia da posse tive bastante problema. Na entrada da Câmara, mesmo com broche, pediram meu crachá. E também no acesso aos elevadores privativos e ao plenário. Em um só dia, tive o mesmo problema três vezes — diz Talíria.

A parlamentar, que exerceu o mandato de vereadora de Niterói, tendo sido a mais votada nas eleições municipais de 2016, comenta a reação dos seguranças no parlamento.

— A segurança já pediu desculpas, dizendo que identificar deputados novos é difícil. Chegaram a falar sobre as minhas roupas coloridas, que atrapalhavam na visualização do broche. Mas a gente sabe que existe uma situação de preconceito de raça e gênero — afirma.

Nenhuma denúncia formal foi realizada, mas a equipe avalia como encaminhar o caso. Nas redes sociais, a publicação da parlamentar teve repercussão, gerando mais de 25 mil curtidas e mais de três mil compartilhamentos.

Segundo a assessoria da Câmara dos Deputados, diariamente circulam 15 mil pessoas pela instibuição e como muitos parlamentares são novos, o reforço da identificação é necessário. Em nota, declararou que ” os parlamentares têm livre trânsito por todas as dependências da Casa. Uma das funções do Departamento de Polícia Legislativa é garantir que este trânsito ocorra da forma mais segura possível – para os parlamentares, para os servidores, para os visitantes e para todos os que frequentam a instituição”.

Outro parlamentar negro relata dificuldade em acessar espaços

O deputado Valmir Assunção (PT-BA) foi um dos que comentou na publicação de Talíria. Na postagem, Assunção escreveu que passa por situação semelhante à da deputada, mesmo após dois mandatos.

— Já fui questionado ao tentar entrar em determinados espaços por funcionários da segurança da Câmara e precisei mostrar meu bottom de deputado — comenta o parlamentar.

Indagado sobre a formalização de denúncias contra essas situações, o deputado alega que opta pelo caminho do diálogo.

— Preferi, até hoje, fazer o debate mais pedagógico, de reconhecimento. Mas não impede que em casos mais graves o comunicado e a denúncia sejam opções — diz.

Fonte: Extra

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