A rebelião de Rodrigo Maia: por que o presidente da Câmara subiu o tom contra Moro

O ataque do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) pegou aliados e opositores de surpresa. O deputado chamou o ministro de “funcionário de Jair Bolsonaro” e disse que ele fez um “copia e cola” no projeto anti-crime. Afirmou ainda que daqui por diante iria dialogar com o presidente da República, não com Moro.

As declarações foram dadas na quarta-feira (20), após Moro defender que a Câmara avalie seu pacote anti-crime de maneira simultânea à análise da reforma da previdência, considerada prioritária pela equipe econômica do governo e defendida também com incisividade por Maia.

A subida de tom de Maia contra Moro tem no corporativismo uma de suas explicações. Historicamente, deputados federais costumam reagir com aguerrimento quando entendem que a “instituição” Câmara está sendo atacada. Ao insistir na tramitação de seu pacote, Moro teria ultrapassado uma linha considerada fatal pelos parlamentares – e o fato de ter feito pressão com uma mensagem enviada na madrugada para Maia, como divulgado pela imprensa, ampliou a insatisfação.

“Isso pode ter ocorrido, mas considero que a reação do Rodrigo foi desproporcional. As declarações públicas do Sergio Moro não justificaram declarações tão agressivas. Certamente tem algo mais envolvido”, criticou um deputado bolsonarista do Centro-Oeste e que apoiou Maia na eleição para a presidência da Câmara.

O “algo mais” pode ter nas redes sociais sua base. Maia fez diversas declarações públicas de que não sente que o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores na internet estão engajados pela aprovação da reforma da previdência. Além disso, Maia indicou que tem recebido críticas nas redes de simpatizantes de Bolsonaro.

Coincidência ou não, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente da República e um dos organizadores das mobilizações bolsonaristas nas redes sociais, ironizou Maia nesta quinta-feira (21). “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso”, escreveu, indicando uma matéria sobre a troca de farpas entre Maia e Moro.

Independentemente dos episódios recentes, Maia havia sinalizado em outras ocasiões que não opera em sintonia plena com o governo federal. No mesmo dia em que atacou Moro, o presidente da Câmara já saíra às pressas do Congresso após o ministro Paulo Guedes, da Economia, apresentar a proposta da reforma da previdência dos militares.

Considerada tímida e pouco capaz de entregar resultados efetivos, o projeto foi contestado até mesmo por membros da base aliada. O texto foi o que inibiu o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), de indicar o relator da reforma nesta quinta – passo que tende a atrasar a análise do tema pelo Legislativo.

A própria eleição de Rodrigo Maia à presidência, em fevereiro, também indicou que não há harmonia plena entre ele e o PSL. Apesar de Maia ter vencido a disputa com folgas, parte dos membros do partido de Bolsonaro mostraram desinteresse em votar no democrata, por conta de ele ter recebido apoio de PCdoB e PDT e de ter negociado com o PT para a eleição.

Fonte: Gazeta do Povo

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