Filho diz que foi rejeitado por ministro do STJ porque mãe é empregada: ‘Se envergonha’

O ministro Jorge Mussi, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), viralizou nos últimos dias após participar de uma sessão online com um fundo falso de tubarão. A confusão foi causada pelo neto de Mussi, que usou o computador antes do vovô e alterou as preferências do aplicativo Zoom.

O ministro levou na esportiva e depois conseguiu corrigir o erro, mostrando que ele tem uma boa relação com o garoto. Apesar disso, um filho do magistrado não goza do mesmo privilégio com o magistrado: trata-se de Tiago Silva Mussi, diretor do Procon de Santa Catarina e ex-vereador de Florianópolis.

Apesar do sucesso profissional, a vida de Tiago foi difícil pois ele é filho de Jorge Mussi com a empregada doméstica. Por conta disso, o pai nunca o reconheceu e o abandonou, fazendo com que Tiago fosse criado apenas pela mãe.

Para se ter ideia, Tiago não tinha o nome do pai em seus documentos até pouco tempo atrás, quando conseguiu na Justiça o direito de ter a paternidade reconhecida. Mesmo com a vitória, a relação dos dois não melhorou e o diretor do Procon fez um desabafo em suas redes sociais sobre o caso.

Não recebeu o convite para a nomeação do pai
A nomeação de Jorge Mussi para a vice-presidência do STJ aconteceu após o reconhecimento de paternidade, mas, mesmo assim, Tiago não foi chamado para a cerimônia.

“Não recebi o convite. É com essa frase que tenho respondido as pessoas que me parabenizam pela nomeação do meu pai a vice presidência do Superior Tribunal de Justiça. Não recebi o convite para a posse. Fiquei sabendo da sua nomeação como todos os outros, pela imprensa”, disse.

Dificuldades
“Fruto de uma relação do filho da patroa com a empregada, não tive o nome do pai no meu registro. Não tive sua presença, seu carinho, seu apoio, da infância a vida adulta. Isso nunca me impediu de trilhar o meu cominho e conquistar minhas vitórias. Lutei duras batalhas. Contra a desigualdade, o preconceito, a falta de oportunidades. A pobreza. O meu pai trilhou o seu também, formado em direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e de família influente ingressou na magistratura como desembargador. Em dezembro de 2007, foi nomeado ao cargo de ministro do STJ e foi membro do Tribunal Superior Eleitoral. Assim como agora não fui convidado para nenhuma de suas posses. Ele se envergonha de ter um filho com a empregada doméstica. O que me leva a concluir que tal caminho de êxito e sucesso, como homem que aplica a lei, não o sensibilizou do meu direito, como filho de ter um pai. Mas a justiça só é justa quando feita com coração”.

Mãe
“Uma mulher guerreira que com ajuda da minha avó decidiu não brigar com o homem que era o pai do seu filho para ajudar a me criar. Desde muito jovem ela também precisou enfrentar inúmeras dificuldades. Entre elas a de criar um filho sozinha”.

Briga na Justiça
“Eu, por decisão própria, enfrentei sozinho uma intensa e turbulenta batalha na justiça. O meu pai, ministro Jorge Mussi, utilizou de toda a sua influência e aproveitando-se da morosidade dos processos judiciais do país para dificultar o reconhecimento de paternidade. A ponto de a rolar uma testemunha que morava nos Estados Unidos para ser ouvida. O que não impediu que a justiça fosse feita. Venci. Me tornei, nos documentos, Tiago Silva Mussi. Porém, muitas pessoas que acompanharam essa luta me questionam porque não assino usando o Mussi. Me sinto mais confortável sendo um Silva. Somos um país construído por Silvas. Muitos inclusive, sem pai, mas a maioria honestos e éticos”.

Com Agencias

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