Senador do dinheiro na cueca mancha governo, mas não derruba popularidade de Bolsonaro

Por João Pedro Marques

OVELHA NEGRA

O presidente Jair Bolsonaro chegou a defender nas últimas semanas que no seu governo não haveria casos de corrupção e por isso seria prudente encerrar as atividades da Lava Jato. Talvez, ele tenha que reformular o discurso após o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do Governo, ser flagrado pela PF com dinheiro na cueca. O parlamentar foi alvo de uma operação que investigava desvios de recursos públicos voltados para o combate ao novo coronavírus. Agentes encontraram cerca de R$ 30 mil na cueca do parlamentar. Por não ter ação direta nas ações do Planalto, acredita-se que o caso não afete a popularidade do presidente Bolsonaro.

ELE LÁ, EU CÁ

Em meio ao escândalo envolvendo o senador Chico Rodrigues, o Palácio do Planalto tentam agora desvincular a figura do parlamentar do governo e, principalmente, da figura do presidente Jair Bolsonaro. Chico foi dispensado da vice-liderança do Governo pelo próprio presidente Bolsonaro. Segundo o presidente, o senador não integra o governo. “Estamos combatendo a corrupção, não interessa quem seja a pessoa suspeita”, disse Bolsonaro. Ou seja, “ele lá e eu cá”.

PÉ ATRÁS

Até mesmo os senadores adotaram cautela ao comentar caso do dinheiro na cueca envolvendo Chico Rodrigues. O discurso da Mesa Diretora é de que vai esperar ao menos uma semana para decidir como proceder em relação ao ex-vice-líder do governo. Ainda assim, o grupo Muda Senado entrou com pedido de apuração na comissão de Ética contra Chico Rodrigues. O clima entre os Poderes estava bem tranquilo até ontem, no entanto, poderá esquentar nos próximos dias. Em ambos os lados, há um pé atrás.

REI DOS MEMES

O flagra de senador Chico Rodrigues com R$ 30 mil na cueca inundou as redes sociais de piadas e memes. Sem dúvida, continuará sendo o assunto mais comentado da semana. No Twitter, o assunto está entre os trending topics. O nome do senador é uma das principais menções, mas os usuários da plataforma recorreram a alguns trocadilhos para “zoar” com Chico Rodrigues, como #CUrrupção, #dinheironabunda, #LavaToba e #PropinaNaBunda.

MORAL EQUILIBRADA

Enquanto as discussões de acirram, a reprovação do governo de Jair Bolsonaro recuou ao menor nível desde maio de 2019, de acordo com levantamento da XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) divulgado nesta quinta-feira (15). Os dados apontam que 31% dos entrevistados consideraram o governo ruim e péssimo, mesmo porcentual daquele mês do ano passado. Há um ano, em outubro de 2019, essa fatia era de 38% e, no mês passado, de 36%. Outros 39% avaliaram o governo como ótimo ou bom, estável ante setembro e maior índice desde os 40% de fevereiro de 2019.

ELEIÇÕES 2022

Na mesma pesquisa XP/Ipespe, Bolsonaro, que está sem partido, lidera nas intenções de voto para as eleições de 2022. O presidente aparece com 31% de intenção de voto, seguido por Fernando Haddad (PT), com 14%, e Sérgio Moro (sem partido), com 11%. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais. Entre os demais nomes apresentados pela equipe de pesquisa aos entrevistados, também aparecem Ciro Gomes (PDT), com 10%, Luciano Huck (sem partido), com 5%, João Amoêdo (Novo), com 3%, Luiz Henrique Mandetta (DEM), com 3%, e o governador de São Paulo João Doria (PSDB), com 3%.

INVERTEU A COISA

As eleições municipais de 2020 registram o maior número de candidatos negros, segundo estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Juntos, pretos e pardos, representam 49,94% das candidaturas, ao totalizar 276.091 registros.  Esta é primeira vez, desde o início da coleta de informações de raça, em 2014, que os candidatos brancos não representam a maioria dos concorrentes às vagas eletivas. Segundo o TSE, os candidatos brancos correspondem a 48% (265.353) no pleito de 2020.

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