A influência cada vez mais forte de Sarney no governo Temer. Este é um dos temas da coluna de hoje

Orçamento de 2018 tem deficit de R$ 157 bilhões

Como já era esperado, o Orçamento Geral da União de 2018 foi sancionado ontem (2) pelo presidente Michel Temer com o deficit de R$ 157 bilhões, aprovado com a meta fiscal que dominou parte das discussões em meados de 2017. Não é uma notícia boa entrar num ano de recuperação com um orçamento tão contingenciado. De todo modo, com a previsão de novas receitas, a ampliação da arrecadação, as privatizações e a reforma da Previdência, o Palácio do Planalto está otimista. O problema é que por enquanto é tudo, como não poderia deixar de ser em se tratando de orçamento, no terreno das previsões.

Sarney, entre o Planalto e a província

Há duas vertentes no episódio do deputado Pedro Fernandes, quase ministro do Trabalho. Como se sabe, Fernandes foi a indicação do PTB para o lugar de Ronaldo Nogueira (RS) no Ministério do Trabalho. Estava tudo certo para ele assumir agora no início do ano. Mas eis que, de última hora, o próprio Fernandes anuncia que não mais tomaria posse para não criar “embaraço com Sarney”. O embaraço carrega a vertente provinciana. Fernandes é do Maranhão, estado governado por Flávio Dino (PC do B), que tem o filho do quase ministro como secretário. Dino tornou-se inimigo quase mortal do clã Sarney. Daí o veto do ex-presidente da República. A outra vertente é que Sarney é hoje um dos homens mais poderosos no governo Temer. E não por um acaso tornou-se o seu principal conselheiro.

FHC bota fogo no ninho

Ao não enxergar com bons olhos a candidatura do governador de São Paulo Geraldo Alckmin a presidente da República, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passou a fazer uma série de investidas contra as pretensões do correligionário político. E desa forma causou um princípio de incêndio no ninho tucano. Já está ficando bem clara a movimentação de FHC em busca de outros nomes para concorrer em lugar de Alckmin. Para FHC, o governador paulista não tem competência eleitoral para ocupar o vácuo do chamado “centro”. Hoje, o apresentador Luciano Huck tornou-se o queridinho do ex-presidente.

Doria ainda na espreita

A posição de FHC contra Alckmin acabou ressuscitando a pré-candidatura do prefeito paulista João Doria. Ele estava praticamente descartado dentro do PSDB e até já cogitava disputar o governo do Estado. Mas agora sentiu que pode voltar a pleitear a disputa interna. Seus aliados pregam que ele é muito mais competitivo de Alckmin no atual cenário político-eleitoral. A briga deve ser retomada ainda este mês. Até porque o tempo é curto. Vai fedê tchifre!

Enquanto isto…

Enquanto a briga no ninho tucano pode retornar (se é que aplacou), o DEM tenta viabilizar a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tido pelos integrantes da sigla como o nome capaz de aglutinar os setores contrários a Lula e a Jair Bolsonaro. Não é à toa que Alckmin quer porque quer que seu vice seja do DEM, uma forma de tentar neutralizar a candidatura de Maia. Enquanto isto, a turma que defende a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), também inicia o ano afoita.

Marun é levado à Comissão de Ética

O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que reúne 29 das mais influentes entidades do funcionalismo, protocolará hoje (3) representação pedindo sanções contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. A representação pede apuração de possível “uso imoral da máquina estatal em troca de votos” em virtude das declarações em que o ministro vinculou a liberação de recursos aos estados ao apoio à reforma da Previdência.

Temer reduz ritmo de trabalho

Ontem o presidente Michel Temer passeou pelos jardins do Palácio do Jaburu, numa demonstração de que está bem, apesar do quadro de infecção urinária. Mas seu quadro de saúde ainda inspira preocupação entre médicos, que cobram dele a redução do ritmo de trabalho. Um assessor direto dele me disse que o presidente está seguindo à risca a recomendação de máximo repouso, mas assegurou que há dificuldades, especialmente neste momento de forte articulação pela aprovação da reforma da Previdência. O problema é que Temer terá que passar por exames médicos todos os dias, além de uma intervenção semanal para inflar a ureta contra a possibilidade de novas obstruções.

Cresce apoio à redução da idade penal

O apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos apenas para casos de crimes graves cresceu de 26%, em 2015, para 36%, em 2017, indica pesquisa Datafolha. Esse índice avançou entre o total de entrevistados favoráveis à mudança na legislação e que representam atualmente 84% dos brasileiros –eram 87% em abril de 2015. Segundo dados da pesquisa, homens e mulheres têm taxas parecidas de aceitação da redução da maioridade: 85% deles e 83% delas querem que adolescentes de 16 e 17 sejam julgados como adultos.

Frase do Dia

“O Palácio me avisou hoje que tinha subido no telhado a nomeação do Pedro Fernandes, me ligou pedindo que pensássemos um novo nome por causa do problema de relação do Fernandes com o Sarney”.

Ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB.

 

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