País precisará fazer racionamento para evitar apagões, diz Lira

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-PL), afirmou ontem (22/6) que o Brasil terá de passar por um “período educativo” de racionamento de energia para evitar uma “crise maior” e o país não sofrer com apagões.

A declaração ocorreu após Lira participar de evento no Palácio do Planalto. Segundo o presidente da Câmara, a análise foi feita pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, com quem se reuniu na semana passada para tratar do assunto.

“O ministro Bento esteve comigo fazendo uma análise do cenário, garantindo que não vamos ter nenhum tipo de apagão, mas vamos ter que ter um período educativo aí de algum racionamento para não ter nenhum tipo de crise maior”, declarou o presidente.

Como mostrou o Metrópoles no início de maio, a falta de chuvas tem causado desabastecimento dos reservatórios das hidrelétricas. Para se ter dimensão da escassez de água nas bacias das usinas, um quarto dos reservatórios das hidrelétricas está com nível abaixo de 30%. Dez dos 39 reservatórios estão no limite da reserva.

No início do mês, o ministro Bento Albuquerque voltou a descartar risco de apagão e racionamento no país e disse estudar medidas que vão desde a importação de mais energia até o incentivo ao deslocamento de consumo para além dos horários de pico, via desconto na tarifa.

O governo também estuda editar uma medida provisória para que um comitê interministerial interfira na gestão de hidrelétricas e crie bases para um eventual racionamento de energia.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o mês de abril marcou o fim do período de transição entre as estações úmida e seca nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN). O balanço hidrológico do período úmido 2020-2021 resultou no pior aporte hidráulico da história do SIN, medido desde 1931.

Com os baixos índices dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país, a agência também acionou a bandeira vermelha nas contas de luz de maio. Na prática, o modelo significa que será cobrada uma taxa adicional mais alta, de R$ 4,169 para cada 100 kWh.

A adoção da bandeira vermelha nas contas de luz tem impacto direto sobre a inflação geral do país. Em março, o índice oficial acumulava alta de 6,10% em 12 meses, ou seja, acima da meta de inflação para 2021, que é de 3,75%.

Da redação com o Metrópoles

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